Andando por um shopping na Paulista, me deparei com uma loja que parecia ter se teletransportado da China para São Paulo. Os preços pareciam de mentira e a qualidade, surpreendentemente boa. Foi o que me levou a investigar a Mixue mais a fundo.

A limonada de 500 ml custava R$ 6 na minha visita. Eu gostei tanto que voltei a tomar no mesmo dia. Mas o que me interessou foi a pergunta por trás do copo: como sustentar esse preço enquanto a operação cresce?

O preço é a parte visível.

O relatório de 2025 do grupo Mixue descreve uma cadeia que reúne compras, produção, pesquisa e logística. Ao fim daquele ano, o grupo somava 59.823 unidades — um total que inclui suas diferentes marcas. 1

Outro dado ajuda a entender o negócio: aproximadamente 97,6% da receita do grupo em 2025 veio da venda de produtos e equipamentos aos franqueados. O restante veio de taxas e serviços relacionados às franquias. Esse percentual representa composição de receita, não margem de lucro. 1

De onde veio a receita do grupo Mixue em 2025?
97,6%

Produtos e equipamentos vendidos aos franqueados

Produtos e equipamentos · 97,6% Taxas e serviços · 2,4%
Fonte: resultados anuais do grupo Mixue, 2025, p. 23. Percentuais calculados e arredondados.

Minha leitura é que a discussão vai além de vender bebidas baratas. A rede precisa funcionar como uma operação capaz de abastecer milhares de lojas com consistência. É aí que preço e execução se encontram.

O Brasil muda a pergunta.

A reportagem de abril de 2026 sobre a estreia brasileira registra compras locais de leite, frutas e café, com a maior parte dos insumos ainda fornecida por fábricas chinesas. A produção local ampliada e uma fábrica própria aparecem como planos. 2

Isso torna mais interessante acompanhar como a estrutura local vai se desenvolver. Na loja que visitei, alguns produtos anunciados não estavam disponíveis. É uma observação daquela visita, não uma prova de falha na distribuição de toda a rede.

Os sucos me surpreenderam mais que o sorvete. Essa é minha percepção como consumidora; os desafios de abastecimento e expansão pedem acompanhamento com outros dados.

Preço atrai. O próximo passo é entregar.

Para mim, a expansão brasileira é uma oportunidade de observar como uma marca adapta seu modelo a outro contexto. Como manter a proposta de valor enquanto constrói escala? Como combinar produto, abastecimento e experiência para que as pessoas voltem?

Preço baixo chama atenção. Resta acompanhar como a execução sustenta a promessa.

Eu quero voltar pela limonada. Como analista, também quero acompanhar o que acontece depois da primeira curiosidade: é na repetição da experiência que a proposta começa a mostrar sua força.

Fontes e notas

O preço e as percepções dos produtos correspondem ao relato da minha visita. As interpretações sobre expansão e execução são análises da autora.